Ambulantes da 44 fazem novo protesto por diálogo com a prefeitura de Goiânia
Camelôs buscam apoio do Legislativo diante da resistência de Mabel
Redação - Goiânia, GO
Manifestação de ambulantes da 44 que cobram diálogo com o prefeito Sandro Mabel (UB)
Imagem: (Foto: Divulgação)
Entre 500 e 600 pessoas participaram na manhã desta terça-feira (8/4) de um novo protesto em defesa dos ambulantes da região da Rua 44, em Goiânia. A mobilização ocorreu em frente à Câmara dos Vereadores, com gritos por justiça e faixas que pediam o fim da repressão e a abertura de diálogo com a Prefeitura.
O movimento cobra a retomada das autorizações de trabalho, suspensas desde o anúncio da política de “tolerância zero” pelo prefeito Sandro Mabel (UB), além da criação de alternativas como feiras noturnas ou de madrugada. Por ora, o chefe do executivo municipal se mantém resistente ao diálogo e tem afirmado que as ações do Paço, lideradas pela Secretaria de Eficiência, não vão parar.
Foco no Legislativo
A pressão sobre o Legislativo busca sensibilizar os vereadores para aprovar um projeto de lei que permita a regularização das atividades dos camelôs. Um dos apoiadores da causa, o vereador Fabrício Rosa (PT), esteve presente no ato e fez um discurso firme contra a repressão e em defesa do direito ao trabalho.
“Vocês são muito importantes. Estão nas ruas todos os dias. Eu sou militante em várias frentes e sei que não é fácil estar na rua, apanhando da polícia, levando gás de pimenta na cara. Vi que duas crianças foram violentadas”, afirmou. Rosa explicou que apresentou um projeto de lei que propõe a formalização dos trabalhadores informais e a autorização para que atuem em turnos alternativos. “Mas precisamos de 19 votos para aprovar”, reforçou, ressaltando que 12 vereadores já integram a Comissão dos Ambulantes.
O vereador também fez duras críticas à Guarda Civil Metropolitana (GCM) de Goiânia. “Toda a violência da Guarda será denunciada na corregedoria, no Ministério Público e nos órgãos federais. Quer ser Polícia Municipal? Se comporte como Polícia. A finalidade do gás de pimenta nunca foi para atirar na cara do ambulante”, disparou. “Se tiver gente quebrando a Câmara, não tem por que usar gás, nem bala de borracha. Isso não é para o trabalhador.”
Ambulantes da 44 requerem licenças
A manifestação desta terça é a continuidade de uma série de atos realizados nas últimas semanas pelos ambulantes da Rua 44, um dos polos mais movimentados do comércio popular na capital. Na última quinta-feira (3/4), mais de 600 pessoas tomaram as imediações da região em protesto, com carro de som e palavras de ordem pedindo “respeito” e “licença para trabalhar”.
Segundo André Cavalcante, um dos articuladores do movimento, os camelôs estão divididos por categorias, como alimentação, vestuário e acessórios, mas caminham unidos pela regularização da atividade. “Pedimos licenças para trabalhar em horários específicos, sem conflito com os lojistas. Já temos 12 vereadores dispostos a nos receber, mas buscamos mais apoio”, afirmou.
Relatos de ambulantes revelam o impacto da medida da Prefeitura. Keila, que trabalha na rua há cinco anos, explica que entrou para o comércio informal durante a pandemia e sustenta dois filhos com a venda de roupas. “O prefeito nega até o horário das 3h às 5h, que não atrapalha ninguém”, disse. Ana Paula, vendedora de alimentos, completou: “Queremos regularização, mas precisamos trabalhar.”
Fabrício Pereira dos Santos, que antes vendia camisetas, agora sobrevive recolhendo latinhas. “O prefeito manda a Guarda nos encurralar. Não é vergonha, é sobrevivência”, afirmou com os olhos marejados.
Caminhos e mobilizações apontadas
A comissão formada pelos ambulantes passou o final de semana em reuniões e articulações com vereadores, prometendo manter as mobilizações até que a Prefeitura apresente uma solução concreta. Eles elencam três principais demandas:
- Retomada das autorizações de trabalho suspensas;
- Criação de feiras em horários alternativos, como a Feira da Madrugada, inspirada no modelo paulista;
- Diálogo direto com o prefeito Sandro Mabel.
Por ora, a Prefeitura mantém o discurso de reorganização do espaço urbano e segurança pública, defendendo a remoção dos ambulantes como parte de um plano de requalificação da região da 44. Mas para os trabalhadores, o projeto exclui e penaliza os mais pobres. Em reunião com vereadores, para discutir o assunto, Mabel defendeu a retirada e propôs medidas alternativas.
“Não estamos retirando os ambulantes, mas oferecendo alternativas como a Feira Hippie e espaços dentro das lojas. O que não pode continuar é a ocupação desordenada das ruas, prejudicando lojistas regularizados e dificultando a mobilidade dos consumidores”, afirmou”, explicou o prefeito.
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